Não sei se não tenho medo de ti hoje
enquanto te vais embora a dizer adeus
enquanto a tua cara se afasta
e uma memória do teu sorriso me diz
que já não existes mais
Não sei se não tenho medo de ti hoje
enquanto discutimos e as nossas vozes
são palavras de quem se ama e tem medo
mesmo sem o saber
Não sei se não tenho medo de ti hoje
enquanto fumo um cigarro e te vejo a dormir
e te beijo a dormir
Não sei se não tenho medo de ti hoje
enquanto somos felizes e nos tocamos
mesmo no sítio certo, carícias tão intensas
que só podem ser malignas.
Não sei se não tenho medo de ti hoje
enquanto conversamos sobre coisas pequenas
e sem importância, mas que são tudo para nós
porque até as palavras pequenas são gigantes
quando falamos.
Não sei se não tenho medo de ti ontem
enquanto caminhas na minha direcção
um sorriso ténue no rosto e sabemos que o certo
está tão errado.
domingo, 21 de março de 2010
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