Se à noite me vires e eu não puder responder
se a minha língua estiver presa e os meus olhos
mortos
lembra-te do dia de outono que eu sou
do inverno que ainda vou ser
e das flores que nascem aos molhos
na nossa primavera.
Se à noite suares e eu não te agarrar
se não beber as gotas da tua ânsia
lembra-te que embora o teu doce desespero
saiba a algas e mar
o meu leve corpo é feito de ganância.
Eu fui feito assim. à imagem de deus.
Se à noite me vires na rua, talvez seja melhor
fechares os olhos.
terça-feira, 23 de março de 2010
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