A cidade à noite violada
milhares de pernas penetrando-a
pés cortados pelos estilhaços de copos
vão manchando a sua face da cor sangrenta
Um movimento circular, as pessoas
em queda mais uma vez, os seus olhos
pontos de encontro de miríades de luxúria
as suas bocas a porta da saída, ainda salivando por mais.
A cidade à noite é violada
a sua inocência mancha o chão de vermelho
o seu choro uma sirene e ninguém a ouve
sinto o cheiro do seu vómito
o sabor da sua agonia
As pessoas violadas pelo éter
os carros as casas as árvores os cães
tudo misturado e desfocado e maltratado
a pequena e frágil cidade violada,
o seu corpo deitado à minha frente
à minha disposição e eu vomito
quando vejo a sua cara desfigurada.
terça-feira, 23 de março de 2010
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