Ao escavar a terra, com as mãos desnudas, encontrei uma pedra soterrada por baixo de outra, já praticamente desfeita. O prateado brilhante que um dia fora era agora apenas pó. Tive pena desta pedra e perguntei-lhe o que tinha acontecido, porque se deixara esmagar pelo peso de uma sua semelhante. Ela respondeu-me que, apesar de mais velha e sábia, era mais pequena e fraca do que a pedra que a desfizera. Ela disse: sou do tipo de pedra que se desfaz. E ainda: é mentira quando te dizem que a inteligência pode vencer a força.
Olhei para as mãos e vi terra nas minhas unhas, lixo castanho que agora me pertencia. Senti o suor a escorrer-me pelo rosto. Agarrei na pedra e desfiz-la completamente. Vi o pó desaparecer, voando para longe. Que estúpida ela foi.
Ainda hoje não sei porque estava a escavar a terra.
domingo, 21 de março de 2010
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