O que foi dito

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Feridas

Escondo nestes silêncios incómodos
Palavras que nunca te direi
Nunca as direi a ninguém
Quero que me pertençam
Só a mim, quero possui-las

Sou, de forma animal
um híbrido entro o orgânico
E o aço
Sou e serei para sempre
Dono do meu próprio espaço

Não há lugar a falsas contemplações
Não há espaço para o medo da morte
Dentro de mim
Preservo as minhas opiniões
Nunca respondo que não
Quando penso que sim

Sou um cemitério de calúnias
Avanço destemidamente por túmulos
Que desde cedo soube que iria percorrer

Esconde a cara meu amor,
E não chores, eu consigo perceber
És uma vaga ideia
És apenas preconceito

As feridas que carrego neste cesto
São todas para oferecer
A quem as precise mais do que eu

Ofereces-te,
Revelas-te
Cadavérica, vã, baça
Assusta-me a tua noção de ser
És reflexo dum vazio imenso

As feridas que tens para me oferecer já estão gastas.
Devolvo-tas.

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