I
A Máscara
Na pele é possível perceber-se todo um passado,
Assim como no cigarro que ma queima se pode ver o fogo.
Há algo de extremamente sensual nesta falhada tentativa de ócio
Há algo puramente animal no fumo que me absorve
E secretamente lisonjeia.
Tudo é inútil e inerte e eu também
Penso e represento a vida de alguém
Que me vê actuar com a dedicação
Própria de um filho que ame a sua mãe.
Num segundo vejo a máscara que me cobre o rosto,
Noutro vejo a tua cara e fico logo indisposto:
A tua máscara já caiu!
Larvas e ratos e lodo,
E ataques do teu povo
E fumo que já foi meu
Dum cigarro que adoeceu…
A medo arranco a minha máscara,
E revelo o iconoclasta
Que sempre habitou dentro de mim…
A tua reacção? No mínimo ensurdecedora,
No máximo um prenuncio do fim,
Apenas porque a verdade nunca o fora.
II
A Máscara Renasce
Agora que a tua cara se me revela heroicamente falsa
E as tuas palavras sórdidas e impuras outra vez
A minha agonia sobrepõe-se ao asfalto
Que me cobre a cara
E eu descanso
Há algo de podre dentro de ti
Que me tranquiliza e amansa
Os teus dentes afiados e a tua boca
Impregnada desse aroma a petróleo
Que tão obedientemente adoramos
E tão humildemente aceitamos
Revelam-se um descanso
Que abraço
Com entusiasmo
A tua máscara está posta outra vez
Assim como a minha,
Oh, sim, nós adoramos esta palavra,
Este sentimento, esta campa,
Este vazio que nos preenche
Mais uma vez a tua cara é a minha cara
E a nossa falsidade torna-se tão verdadeira
Como a mentira que te contam
E que eu ouço com ânsia
Mas está tudo bem…
As larvas, os ratos e o lodo,
(não podia durar muito tempo, nada dura.)
Esses estão bem escondidos.
III
Mais Uma Vez (A Máscara)
Em ditaduras faraónicas
os laços que te trouxeram
e arrastaram até aqui
não te poderão salvar
não há boa vontade neste
novo mundo que idolatras...
A tua voz falha!
Tu, própria, ou não
falhas...
é o teu dever...
É o teu brilho...
Tu brilhas tal e qual a tua máscara
Rodeando o ar,
convicta, impenetrável
Um sem fim de argumentos
e mentiras nuas
tal como tu não estarás
NUNCA!
não com essa tua falha
não com esse teu brilho
não com essa tua máscara
Revelas-te nua
(e)
Revelas-te fraca!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário