A rapariga quando viu
a foto do homem
a face dele preta e branca
o escuro dos olhos ainda
mais escuro do que na realidade
era
sentiu-se indisposta
Ela viu a continuidade
a relação não sanguinária
não hereditária
viu a foto, um espelho
um espelho da sua alma
e atirou a foto ao chão
A face do homem preta e branca
e vermelha também
coberta de estilhaços
os vidros partidos poeira no ar
os cortes novos e frescos
O homem disse-lhe:
porque me matas
matas-te a ti
olhos nos olhos
lágrimas nas lágrimas
ela olhou-o e cuspiu
e a sua saliva era fogo
que ardia
o papel contorcendo-se
e até os vidros ardiam
mas os olhos
os olhos estavam lá
sábado, 20 de março de 2010
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